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Sr. Pedro: 100 anos de idade e de muitas histórias

22/09/2011 - 08:59

Charles Schelter/ORS Charles Schelter/ORS

Olhar sereno e lúcido, o rosto marcado pelo tempo e as mãos calejadas do trabalho quando exercia a profissão de carpinteiro, conversa calma com lembranças dos tempos em que Armazém não passava de um pequeno vilarejo e que a produção da então vila de Armazém era escoada de canoa pelas águas do Rio Capivari. Foi assim que começamos a nossa conversa descontraída com o senhor Pedro José Floriano, que neste dia 20 de setembro completou 100 anos de idade.
A família preparou para seu Pedro uma festa no sábado (17), onde estiveram reunidos família, amigos e vizinhos, afinal, chegar aos cem anos de idade é privilegio para poucos.
Pedro Floriano tem seis filhos de dois casamentos, cinquenta netos, oitenta bisnetos e dezenove tataranetos. E segundo ele gostaria muito de poder educá-los como antigamente, mas os tempos são outros. “Antigamente podíamos dar umas palmadas, hoje não dá mais”, diz sorrindo.
O centenário senhor Pedro conta que o segredo de sua longevidade é a sua alimentação a base de feijão com farinha de mandioca ou arroz, repolho refogado e sua fruta predileta e que segundo ele não passa um dia sem se alimentar é a banana. Perguntamos para ele se mesmo nessa idade ele ainda faz alguma atividade, ele prontamente nos respondeu que gosta muito de debulhar feijão com as próprias mãos, como antigamente. Aproveitando que falávamos em mãos, Pedro Floriano contou-nos que trabalhava como carpinteiro, mas era agricultor também porque plantava o alimento para o sustento da casa, e aos sábados e domingos cortava o cabelo dos jovens próximo ao salão da comunidade de São José, no interior do município, onde sempre morou desde que nasceu, em 1910.
Quando falávamos de educação, o senhor Pedro, no auge do seu centenário, explicou que quanto mais estudado melhor, mas isso acaba muitas vezes sendo algo ruim, segundo o seu ponto de vista: “alguns usam para o lado bom, outros para o lado ruim”, concluiu.
Durante a conversa seu Pedro nos revelou que gosta muito de assistir aos telejornais e ficar atento aos fatos relacionados à economia do nosso país, e lembrou dos tempos difíceis que passou quando jovem, onde tudo que se produzia era levado de barco pelo Rio Capivari até Laguna para trocar por alimento, como farinha e outros produtos, e que quando se vendia não tinha muito valor, a moeda de troca era mais forte.
Para finalizar a nossa conversa perguntamos se ele tinha um sonho a realizar, viúvo há bom tempo, ele prontamente, entre muitas risadas de todos, respondeu que gostaria de arrumar uma namorada.

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