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Santo Antonio, o Namorado de Laguna

01/06/2006 - 18:18

"Se milagres desejais, recorrei a Santo António. Vereis fugir o demônio e as tentações infernais.

Recupera-se o perdido. Rompe-se a dura prisão, e no auge do furacão cede o mar embravecido.

por: Maria de Fátima Barreto Michels, (Laguna) "Se milagres desejais, recorrei a Santo António. Vereis fugir o demônio e as tentações infernais. Recupera-se o perdido. Rompe-se a dura prisão, e no auge do furacão cede o mar embravecido. Pela sua intercessão, foge a peste, o erro, a morte. O fraco torna-se forte, e torna-se o enfermo são.Recupera-se o perdido. Rompe-se a dura prisão, e no auge do furacão cede o mar embravecido. Todos os males humanos se moderam, se retiram. Digam-no aqueles que o viram, e digam-no os paduanos. Recupera-se o perdido. Rompe-se a dura prisão, e no auge do furacão cede o mar embravecido. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Recupera-se o perdido. Rompe-se a dura prisão, e no auge do furacão cede o mar embravecido. Rogai por nós, bem-aventurado António. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo” (*) Quem nasceu na terra de Anita Garibaldi ou foi adotado por Laguna, acaba se envolvendo com Santo Antônio. Sabia que, mais dia menos dia, minha paixão por esse franciscano viraria uma crônica, embora já fosse uma crônica paixão. Até eu, surpreendi-me com a ira que me acometeu no dia em que um cidadão, de outro lugar, falou: “Santo Antônio não é isso tudo”. Achei o sujeito um bobalhão. Embora ele fosse “estudado” e rico. Boa grana ele ganhou aqui em Laguna, inclusive. Por mais herege ou ateu que alguém seja, há que respeitar a forma que uma sociedade encontra para exercitar sua espiritualidade. Os elos, as pontes, que os povos usam para chegar até suas divindades, também são caminhos que servem de estudo aos antropólogos. Se queremos compreender uma nação precisamos observar onde mora a sua crença, onde é depositada a sua dúvida e ou sua certeza. O que o homem não explica (e há os que acham que explicam tudo), ele transforma em fé, ou símbolos, ou instâncias que o serenam, o harmonizam com o todo, com o tudo mais. Santo Antônio não é Deus. Ele é também um filho muito amado do Pai, e um amigo muito querido da gente. Um eterno namorado de Laguna. Para os lagunenses, Santo Antônio é um referencial fortíssimo da espiritualidade. O compromisso amoroso recíproco, entre Santo Antônio e os lagunenses, iniciou-se em 1676 quando Domingos de Brito Peixoto fundou esta cidade. A utilização dos ensinamentos de Antônio, nascido Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo que, abrindo mão de riquezas pregou o amor ao próximo, é uma excelente forma de prática religiosa. Em Laguna, desde o humilde, até aquele que tem poder, desde o idoso até a criança, todos aguardam e vivenciam os festejos antôninos com grande alegria. No dia dos namorados, em 12 de junho, que antecede o dia de Santo Antônio, é sempre bom dar uma faladinha em particular com Ele. Se o seu amor é puro e verdadeiro, garanto que Antônio dará uma força. Conforme Colombina, poetisa paulista, “Nós sempre temos vinte anos num canto do coração”. Além da fama de casamenteiro, Santo Antônio é invocado para restituir objetos perdidos. Mais conhecimentos da vida desse Antônio, que nasceu em Lisboa (Portugal) e depois foi para Pádua (Itália) serão relembrados pelos oradores, nas belas trezenas cantadas pelo famoso internacionalmente “Coral Santo Antonio dos Anjos”. O coral da paróquia matriz lagunense que gostaria de lembrar aqui, acaba de lançar um CD. Tal trabalho de arte e talento agradou de imediato, pela qualidade e bom gosto apresentados. Desta vez, o repertório é sòmente com músicas da MPB. Há três anos, ganhei de presente, uma viagem pela serra gaúcha. Meu aniversário que acontecia naquele final de semana, eu queria curtir no sossego. Já no sábado, pela manhã descobrimos que o padroeiro da cidade onde estávamos, era também o Santo Antônio. Com a igreja bem pertinho do hotel, aquela noite junina tornou-se especial. Foi muito bom ir encontrar e rezar diante daquela imagem, tão querida e de certa forma familiar, embora noutra paróquia, longe da nossa Laguna. Celebramos de forma silenciosa, e secretamente feliz, naquele primeiro de junho. Foi ótimo completar meio século lá em Bento Gonçalves, em clima de festa íntima eu e Santo Antônio! “Se milagres desejais...” *Esta oração de louvor - ou responso - em honra de Santo António foi redigida por frei Giuliano da Spira. É cantado na Basílica de Santo António em Pádua e, em cada terça-feira, em muitas igrejas do mundo inteiro. (*)Fonte: carosantantonio.it/por/preghiere

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