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Saúde

O travesseiro dos seus sonhos

25/06/2009 - 09:07

Em um estudo publicado no periódico científico International Journal of Rehabilitation and Research os especialistas convocaram 149 pacientes que sofriam com dores na coluna cervical diariamente e sugeriram que metade deles começasse a dormir com um tipo específico de travesseiro, adaptado para cada indivíduo. O restante das pessoas continuou deitando-se sobre o seu artefato de costume. Nos primeiros dias, alguns sinais indicavam que o primeiro grupo estava se dando melhor. Depois de um ano, esses voluntários não deixaram dúvida: estavam acordando muito mais descansados e sem nenhum desconforto no pescoço.
Quer saber o que um travesseiro precisa ter para provocar o mesmo efeito? Para sua surpresa, o material pouco importa. “O que conta mesmo é a altura, que deve preencher o espaço entre o pescoço e a extremidade externa do ombro”, explica o ortopedista Moisés Cohen, professor da Universidade Federal de São Paulo. Isto é, para quem dorme de lado. Porque, para quem dorme de barriga para cima, a peça deve ser um pouco mais baixa para ocupar o vão entre a nuca e o começo das costas, sem comprimir a coluna cervical nem deixar a cabeça caída. A informação vale para a hora da compra. “Se houver uma cama ou um sofá, deite-se sobre a peça que pretende levar para casa”, ensina a fisioterapeuta paulista Silmara Rodrigues Bueno, que é especialista em ergonomia do sono e criadora da RPGS, Reeducação Postural Global do Sono.
As consequências de noite após noite sobre o travesseiro errado são mais complicadas do que o pescoço duro, dolorido e travado já indica. “O repouso fica superficial e fragmentado”, conta o neurologista Shigueo Yonekura, especialista em sono pela Universidade de São Paulo.
No dia seguinte, a sonolência é inevitável. E esse é só o começo do nó. A longo prazo aparecem o déficit de atenção, os problemas de memória e o risco de doenças cardiovasculares, diabete, obesidade e infecções. De quebra, o sistema imune fica bem prejudicado.

Na posição certa - Fique claro, porém: nenhum travesseiro, por mais próximo do ideal que seja, vai resolver o problema de quem deita com o corpo todo encolhido ou de bruços. “Repousar de barriga para cima, mesmo que com a cabeça bem apoiada, também não é muito indicado, especialmente para quem ronca ou sofre com apneia”, afirma Shigueo Yonekura. A posição leva a um estreitamento das vias aéreas superiores e dificulta ainda mais a passagem do ar. A saída? “É possível educar o corpo para dormir de outro jeito”, garante Silmara. “O ideal é deitar-se de lado, com os joelhos levemente flexionados”, ensina Kelly Ferrarezi.

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