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Especial

Duas histórias que fazem a diferença em Vargem do Cedro

22/12/2011 - 10:35

Charles Schelter/ORS  (A Geschäftshaus Feuser) Charles Schelter/ORS (A Geschäftshaus Feuser)

Gislane Cascaes/ORS (Fluss Haus) Gislane Cascaes/ORS (Fluss Haus)

A Geschäftshaus Feuser

A história da casa comercial Geschäftshaus Feuser e de Vargem do Cedro se completam, pois seu fundador, o alemão Anthon Effting, liderou um grupo de imigrantes às terras onde hoje está Vargem do Cedro, por volta de 1880. Ajudou a abrir a mata, a construir casas e fixou também suas raízes neste lugar.
Rememorar a história dessa casa é um privilégio e por quê não uma obrigação, para que sirva de fonte de inspiração para aqueles que pensam empreender um dia.
Tempos difíceis foram àqueles em que todos tinham pouco, em que estradas eram picadas em meio à mata e que tudo se transportava em carros de bois e no lombo de mulas e cavalos. Mas seu Anthon Effting não tinha medo ou, como diz sua bisneta Cacilda Feuser, “não se deixava a bater pelas dificuldades e trabalhava muito”.
Com tino para o comércio, logo percebeu a necessidade das famílias de suprirem as necessidades básicas da época e anexa à sua casa construiu sua primeira “venda” onde vendia artigos como sal, querosene e tecidos para a confecção de roupas. No início a razão social era Comércio de Secos e Molhados – Venda de Anthon Effting.
Em 1909, as coisas foram melhorando e seu Anthon já tinha economias suficientes para melhorar a residência. Foi quando construiu uma casa de dois pavimentos para a família e uma casa comercial, a primeira da região. Edificações estas que embelezam e preservam a tradição alemã na comunidade de Vargem do Cedro.
Os anos foram passando, as necessidades aumentando, a família Effting foi se adequando aos tempos e seu Anthon dividiu com os filhos as responsabilidades. A empresa passou a se chamar Antônio Effting Filhos & Cia e nesta ocasião também construíram uma Fábrica de Produtos Suínos, onde eram abatidos em média 100 porcos por semana.
A banha era filtrada e vendida para a Casa da Banha no Rio de Janeiro e carne ia para a feira realizada duas vezes por semana na Praça da Bandeira em Laguna, Santa Catarina.
A comercialização da banha exigia um cuidado maior, por isso a própria fábrica produzia as latas para sua armazenagem. Tais latas eram produzidas a partir de folhas de flandres, material de alta resistência à corrosão, o mesmo material utilizado até hoje para a conservação de produtos alimentícios. As latas eram embaladas em caixas de madeiras e recebiam o carimbo da empresa, carimbo este que a bisneta Cacilda guarda com orgulho até hoje. “Orgulha-nos saber que Vargem do Cedro enviava para o Rio de Janeiro os produtos daqui”, relembra Cacilda.
As ideias da família não pararam por ai. E construíram uma fábrica de suco e óleo de laranja. Mais uma vez os produtos de Vargem do Cedo ultrapassaram os limites da cidade. O suco era vendido para uma fábrica de refrigerantes da Max William, de Jaraguá do Sul. O óleo, que era extraído da casca, era vendido para uma empresa de Porto Alegre.
O impressionante neste ponto da história não é descobrir que o comércio já era forte naquele tempo e sim como o transporte das mercadorias era feito. Produtos como feijão, batatinha, farinha, carne suína, ovos, manteiga, banha e outros desciam para a cidade de Laguna em carros de bois até Aratingaúba, viagem está que levava aproximadamente seis horas. E depois, em dias, em barcos à vela até o porto da cidade. Onde os produtos eram separados, alguns para a feira da Praça da Bandeira e outros, como a banha, para as cidades de destino geralmente em navios como o Max Hoepcke, de propriedade de Carl Hoepcke.
Em 1955, José Feuser, pai de Casilda, casou-se com Maria Tabita Effting e durante muito tempo o casal este à frente do comércio. Atualmente,  seu José Feuser acompanha a filha Cacilda na casa comercial, mas é ela a responsável por tudo.

Horário de atendimento: Todos os dias, inclusive sábados e domingos em horário comercial.

Oferece: Produtos coloniais, artesanatos, artigos para presente, confecções, gêneros alimentícios, bebidas e outros.

Localização: Estrada Geral Vargem do Cedro, Centro – ao lado da Igreja Matriz São Sebastião.

A Fluss Haus

Fluss Haus é um desses lugares que a gente nunca esquece. Seja pelas belezas naturais que a rodeiam, pelo borbulhar das águas do rio que divide os ambientes, pela hospitalidade do casal Lindomar Luiz Feuser e Maria Salete Heidemann Feuser ou pelos cheiros e sabores da típica comida alemã e dos biscoitos decorados à mão, como no tempo da avó da gente.
Vargem do Cedro é a comunidade onde está a Fluss Haus e é um desses pedacinhos de céu delicadamente encravados num dos cantos verdes da cidade de São Martinho, sul de Santa Catarina.
Há quem diga que só o tempo e a persistência faz com que as coisas aconteçam.
É o que se pode dizer da história desse casal empreendedor que acreditou na terra onde nasceu. Lindomar e Maria Salete se casaram em 1988 e começaram a trabalhar com gado leiteiro e também plantando fumo, mas logo perceberam que se trabalhava muito e ganhava-se quase nada, e faltava dinheiro para pagar a energia, como lembra Lindomar. Então resolveram mudar. Reunindo receitas de família, Maria Salete e Lindomar se dedicaram à produção de biscoitos caseiros que Lindomar vendia todas as quintas-feiras em São Martinho. “Enchia o Fusca branco que tínhamos, acho que um 74, e ia até o Centro da cidade oferecendo nossos biscoitos. Isso durante três anos”. A ideia tinha dado certo, mas o casal estava disposto a mais.
Foi quando o então prefeito da cidade, Gervásio Back Loffi, tido como louco por muitos, resolveu tirar São Martinho do anonimato e implantar atividades de turismo rural. Na época houve certa resistência por parte da população. Porém o casal Lindomar e Maria Salete, logo percebeu que a ideia, embora visionária, poderia dar certo e apostaram mais uma vez na sua capacidade de mudar e empreender. Foi quando abriram sua lojinha de biscoitos caseiros e contrataram sua primeira funcionária, a Edimara. “Os turistas visitavam São Luís por causa de Albertina e depois vinham até Vargem do Cedro comprar nossos produtos”, comenta Lindomar.
A venda de biscoitos aos turistas otimizou o negócio do casal e pediu um complemento: o café. “Daí construímos nosso primeiro ambiente com 24 lugares e passamos a oferecer um café colonial”, diz Lindomar.
Nesta etapa da vida do casal Lindomar faz questão de destacar a importância do Sebrae, da Epagri e do prefeito Gervásio. “Devemos muito a eles, pois além de acreditar na nossa capacidade de trabalho ajudaram-nos a profissionalizarmos e a melhorar o atendimento e a produção como um todo”, afirma Lindomar.

Hoje em dia – o ambiente do café tem capacidade para atender 210 pessoas, onde são servidos mais de 90 itens entre doces, salgados, sucos, geleias, embutidos e tantos outros pratos da saborosa comida típica alemã. Além disso, nos últimos tempos o café colonial abriu espaço para o almoço colonial que conta com pratos como o Marreco, o Eisbein - joelho de porco, o Spatzle - macarrão caseiro, e o um molho de músculo de boi que leva oito horas para ficar pronto, além dos acompanhamentos tipicamente alemães.
A lojinha anexa ao café oferece os famosos biscoitos decorados à mão com mais de 20 sabores, além de licores, geleias, doces e artesanatos da comunidade.
Para atender à demanda cada vez maior pelos produtos coloniais o casal emprega atualmente 60 pessoas de maneira direta distribuídas na produção, decoração e manutenção da propriedade que tem cem por centro de aproveitamento, com mais de 600 árvores frutíferas para os sucos e a produção de geleias e licores. São contratadas mais 20 pessoas para os fins de semana. “Hoje não temos mais mão-de-obra em Vargem do Cedro e já contamos com funcionários de outras comunidades. Isso nos orgulha muito, pois ajudamos para o crescimento de todos”, expressa Lindomar.
A produção de biscoitos ganhou fama e ultrapassou os limites do estado, hoje eles são comercializados nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, atingindo a produção de 8.000/mês, diversificados com mais de vinte sabores e sem esquecer que todos são decorados manualmente.

Horário de atendimento:
Café colonial aos sábados, domingos e feriados das 15h às 19h.
Almoço colonial também aos sábados, domingos e feriados só que das 11h30min às 15h.

Lojinha de biscoitos:  Todos os dias em horário comercial.

Localização:
Na estrada geral de Vargem do Cedro a 11 km da sede do município de São Martinho.

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