21/05/2009 - 09:01
Augusto Bruning, falecido aos 91 anos de idade
Rótulo da aguardente especial “Flor do Sertão”,1957
Agenor Bruning, 56, aposentado/ Crédito/Gislane Cascaes/ORS
O espaço Na Comunidade desta semana deixa de lado os problemas dos bairros para contar um pouco da história do senhor Augusto Bruning, morador nos últimos anos do bairro Centro, em Armazém.
Seu Augusto Bruning foi um homem que fez de tudo um pouco, e mesmo tendo apenas a 2ª série do Ensino Fundamental adquiriu ao longo da vida o hábito pela leitura e por relatar os acontecimentos de sua vida. Gostava de escrever diários e nada lhe passa despercebido. Escreveu desde 1938 até 26 de março de 2009. Nele registrava tudo. Os negócios feitos no dia, o nascimento dos filhos e fatos marcantes da história da sociedade, como a morte de papas e políticos brasileiros, comenta o filho Agenor Bruning, 56, aposentado, tendo em mãos os diários do pai. E, lembra: “Ele gostava de ler. Lia tudo que lhe caia às mãos. Gostava de instruir-se. Inclusive não tinha o hábito de dormir depois do almoço, neste horário já estava com um livro às mãos”, comenta Agenor.
Além de disso, seu Augusto também gostava de ler histórias escritas em alemão e falava fluentemente a língua.
Agenor, lendo as anotações do pai, encontrou em um de seus diários o registro de seu nascimento. “Oito de agosto de 1952, nasceu Agenor, às 11 da noite”, se emociona. Ele faleceu aos 91 anos de idade e seu último registro em diário foi no dia 26 de março, quando escreveu: “A filha mais nova, Nivardes, veio me visitar”. A partir dessa data, segundo seu Agenor, a saúde do pai foi ficando cada vez mais frágil em decorrência da idade.
Quando ainda estava bem de saúde, nos fins de tarde, ficava a observar a movimentação das crianças da creche Tia Mônica, próxima de sua casa. A falta de proteção da vala ao lado da creche era motivo de sua preocupação. “Ele se preocupava com os alunos e não ia para casa antes que todos fossem embora”, conta também Agenor.
E, reforça ainda, o filho: “Ele nunca deu maus exemplos e sempre foi muito respeitador. Com certeza, foi um grande homem, e, como pai, sempre esteve presente em nossas vidas”, afirma.
Um pouco de sua história - Augusto Bruning nasceu em São Ludgero no ano de 1917. Era filho de Reinaldo Bruning e Elizabet Roden, a mãe faleceu quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Viveu na cidade toda sua infância e parte da juventude, quando se mudou para Rio Fortuna e foi aprender com o irmão, Jacó Bruning, a profissão de sapateiro.
Foi em Rio Fortuna que conheceu a esposa, Maria Tenfen e dessa união nasceram doze filhos: Tabita (in memorian), Nilza, Jaime, Edite, Valmor, Lourdes (in memorian), Marluce, Melita, Agenor, Jandira, Clóvis e Nivardes. Em Anitápolis trabalhou com serraria, na lavoura, com apicultura (criação de abelhas), como pedreiro e como tal construiu a própria casa.
No ano de 1956 adquiriu um terreno na comunidade de Sertão dos Corrêas, em Armazém. Neste tempo iniciou uma fábrica de aguardente (cachaça), tinha firma registrada e as garrafas tinham rótulos, coisa audaciosa para aquela época. Além disso, possuía um engenho de cana de açúcar, uma atafona e um descascador de arroz. E, ainda trabalhava como agricultor, sempre enfrentando as dificuldades daqueles tempos.
Augusto Bruning participava das atividades da cidade, embora nunca tenha colocado seu nome à disposição da política, sempre se envolveu com ela e com tantas outras situações. Foi sócio-fundador do Clube Alvorada, foi chefe de turma na construção da Igreja Matriz de Armazém, e ainda, festeiro da famosa Festa de São Pedro Apóstolo no ano de 1964, em conjunto com o casal amigo Nicolau Corrêa e Margarida Cardoso Corrêa.
Um pouco mais tarde adquiriu as terras do senhor Valdemar Vieira, também em Sertão dos Corrêas, onde instalou sua atafona, que trabalhava já com energia elétrica, uma das poucas na época. Lá também passou a cultivar hortaliças e frutas.
No ano de 1998 sua esposa faleceu e sentindo-se sozinho desejou vir morar perto da igreja e residiu em sua casinha no mesmo terreno do filho, Agenor e a esposa Maura, por aproximadamente nove anos. Aos 91 anos de idade seu Augusto Bruning ficou internado no Hospital Santo Antônio de Armazém por 17 dias e depois foi para a casa de sua filha Edite e seu esposo Rainério, onde faleceu no dia 13 de maio de 2009.
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