Audiência pública sobre fosfateira causa polêmica em Braço do Norte
01/10/2009 - 10:27
SIG Assessoria/Divulgação/ORS
A polêmica audiência pública que percorre a região, a fim de discutir a implantação da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), em Anitápolis, foi realizada na última sexta-feira, 25 de setembro, no salão paroquial, em Braço do Norte.
Diante de protestos de ambientalistas, o coordenador dos trabalhos, deputado Décio Góes, abriu a discussão que ouviu os responsáveis pela instalação da fosfateira e especialistas contratados para análise técnica do projeto.
O gerente do projeto da IFC, que é formada pelas multinacionais Bung e Yara, Frederico Boldmann apresentou um vídeo institucional de cerca de 30 minutos explicando os passos dos projetos. Durante a apresentação foram informados dados técnicos e os investimentos que serão feitos na região, de aproximadamente R$ 700 milhões. A empresa ressaltou também os investimentos em recuperação ambiental. Para a obra ser iniciada é necessário a liberação de três licenças, inclusive a ambiental. “A empresa pecou em apresentar apenas um vídeo institucional, estamos aqui para promover o debate”, destacou o deputado Décio Góes (PT). A IFC já possuía a licença prévia, concedida pela Fatma, no entanto, na última segunda-feira, 28 de setembro, o ministério público solicitou a suspensão. A liminar foi concedida pela juíza federal substituta, Marjôrie da Silva.
Outra importante crítica apontada durante a audiência foi dirigida a ausência de um representante da Fatma. “O processo não está transparente, esse é o maior problema. O Brasil e o mundo sofrem, hoje, com consequências de projetos implantados sem um devido estudo dos reflexos ambientais, a ausência da Fatma só comprova isso”, disparou o deputado Joares Ponticelli.
A professora doutora, Sônia Corina Hess, engenheira química e especialista em análises de processos ambientais, apresentou suas considerações da análise do projeto fornecido pela IFC. Segundo a professora, o projeto é contraditório e obscuro em muitos pontos. Das 1,8 milhões de toneladas/ano produzidas pela IFC, apenas 300 mil toneladas refletem a produção, sendo o restante resíduo. “Os dados do projeto nos fornecem que serão liberados 124,56 m³ por hora de resíduos. Isso equivale a 125 caixas de água de mil litros por hora”, compara. A especialista ainda destaca a emissão de óxidos de enxofre na atmosfera, cerca de 406,8 mil toneladas/ano, suficientes para provocar chuva ácida, e a produção do gesso, um dos resíduos do processo, que não recebeu soluções no projeto da IFC.
A Associação Empresarial de Braço do Norte (Acivale) não se isentou da discussão, o presidente Silvio Bianchini, juntamente com o vice-presidente de prestação de serviços e turismo, Helton Heidmann, que tem representado a instituição em outras audiências, estiveram presentes na discussão e reafirmaram o posicionamento contrário à instalação da indústria de fosfatados. “No exercício da democracia, nada mais justo que discutir em audiência pública os impactos que uma grande empresa pode acarretar em uma região que depende diretamente das águas para sua agricultura, suas cidades, suas indústrias, para o turismo, para as novas geradoras de energia que estão por surgir e pelos impactos locais, principalmente, sabendo do ponto de vista da maioria dos moradores da região de Anitápolis. A audiência mostrou que a maioria das pessoas é contrária ao empreendimento e, mesmo que este seja aprovado, terá que tomar ainda mais cuidados do que estava programado”, destaca Heidmann.