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Relembremos Garibaldi

Fonte: Luiz Henrique da Silveira - Governador do Estado

“Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis”, dizia o dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht. A Itália dos meados do século 19, dividida e acossada por exércitos ora austríacos, ora espanhóis, ora franceses, era um desses países que precisavam de um herói. Pois ela o teve, de modo superlativo, na figura de Giuseppe Garibaldi, cujo 126º aniversário de morte transcorre na próxima segunda feira. Garibaldi foi o personagem mais importante, o grande líder da unificação italiana! Sua saga heróica tem início em 1835, quando toma parte da fracassada insurreição de Gênova, e se prolonga até 1870, ao travar as últimas batalhas ao lado dos franceses, que haviam sido seus inimigos, nos tempos do Império. (Com o advento da nova França republicana, as tropas galesas caminharam junto aos homens de Garibaldi). Aos 28 anos, fugindo de uma condenação à morte, emigra para o Rio de Janeiro, seu primei! ro de tantos exílios. Com idéias socialistas, assimiladas de Saint-Simon, aproxima-se dos republicanos que combatiam o Império do Brasil, vindo a tornar-se figura de proa na Revolução Farroupilha. Na Laguna, conhece Ana Maria de Jesus Ribeiro, a nossa Aninha do Bentão, a mundialmente reconhecida “heroína de dois mundos”. Como ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher, Anita, corajosa e decidida, tão líder como o marido, sempre esteve ao lado do grande Giuseppe, na guerra ou na paz. No meu gabinete de trabalho, na Casa d’Agronômica, contemplo, a toda hora, uma tela de Willy Zumblick, que retrata a heróica travessia por terra dos barcos Seival e Farroupilha. Conduzindo-os, pela praia, sobre enormes carretas, Giuseppe Garibaldi escapou do cerco que as tropas imperiais estabeleceram na embocadura da Barra do Rio Grande. E conquistou o porto de Laguna para que sua sonhada República tivesse relações comerciais com o mundo. Essa tela, pintada em 1! 952, revela o heroísmo da travessia na fisionomia extenuada da! s juntas de bois, puxando os dois carretões, e na inesgotável força física dos caboclos, conduzindo, aos berros, os animais. As ondas do mar batendo nas carretas, o céu cinzento e trovejante, os cavalos resfolegando, o movimento, ao mesmo tempo tenso e entusiástico, dos cavaleiros, nenhum detalhe deixou de ser registrado pelo talentoso artista tubaronense. Quem quiser assistir, ao vivo, essa história de luta e de amor, envolvendo o revolucionário Giuseppe e a lagunense Anita, não pode perder a épica encenação da Tomada da Laguna, nos dias 17 a 27 de julho, às margens da Lagoa Santo Antônio, em Laguna. Reproduzindo, fidedignamente, os episódios daquela epopéia, esse evento é, seguramente, o maior espetáculo de teatro popular ao ar livre do Brasil e da América latina! Cerca de 500 personagens (entre atores do grupo Teatral Terra e figurantes selecionados entre moradores da cidade) contracenarão com a atriz Vanessa Lóes (Anita Garibaldi) e Thiago! Lacerda, (Giuseppe Garibaldi), personagem que já representou na minissérie “A Casa das Sete Mulheres”. Vejamos, em julho, o magnífico espetáculo! Ele é inesquecível!

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