Artigos
Artigo da semana
Como ave que volta ao ninho antigo
Como ave que volta ao ninho antigo
Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa (Ex.20.12)
Dizem que mãe é como luz, sentimos sua falta quando se apaga. Eu fui criado numa casa de 13 irmãos. Ali no ninho da família “Lopes” eu percebi muita coisa bonita vinda de uma mãe que com garra, dificuldade, simplicidade criou com amor e carinho os seus filhos. Todo lar sadio tem em sua mãe a sua referência, pois a mãe educa, injeta amor, disciplina, dá carinho, sabe dizer não e também dizer sim, é protetora, amiga, provedora, criativa, luta pelo pão cotidiano, faz do lar algo renovador, restaurador, a ponto de produzir saudade naqueles filhos que agora nem moram mais ali, pois o ciclo da vida arquitetada pelo próprio Deus faz a gente também construir família.
Quando casei senti falta da comida da mãe, esse fenômeno é natural, pois criado a vida inteira ao lado da mãe logo ia sentir falta do tempero e do cheiro que só a panela da mãe produz. O marido, para compensar e não brigar com a esposa, inventa, então, de comer na casa da sogra.
A sogra, é óbvio, é mãe da sua esposa, logo, a palavra “mãe” sempre vai ser o elo de ligação entre os dois mundos: “marido com saudade da comida da mãe e se adaptando à comida da esposa” e “ esposa também com saudade da comida da sua mãe se adaptando agora com a vida de casada”. Todavia, nós sabemos que a comida das nossas mães é só um chamado para nós nos lembrarmos do carinho, do afeto, da amizade, da proteção, do incentivo, do lar materno e paterno, que sempre nos dá saudade. Sim, saudade da infância, das broncas, das famosas surras, do não, do sim e por aí vai.
O poeta “Luís Guimarães” escreveu um poema que retrata muito isso: “A visita à Casa Paterna”. E ele diz: “Como a ave que volta ao ninho antigo, depois de um longo e tenebroso inverno, eu quis também rever o lar paterno, o meu primeiro e virginal abrigo: Entrei (...), era esta a sala... (Oh! se me lembro! e quanto!). Em que dá luz noturna à claridade minhas irmãs e minha mãe ... O pranto (...) chorava em cada canto uma saudade.
O famoso poema “Meus Oito Anos” do célebre “Casimiro de Abreu” também retrata isso “Oh! Que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida. Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais”.
Essa brincadeira aqui é consolo para as nossas esposas, pois os nossos filhos quando casarem vão, de vez em quando, de volta ao doce lar com “saudade da comida da mãe”, e assim a vida segue até a volta de Cristo. Todos os filhos que hoje não tem mais a sua mãe sabem que falta ela faz. Com toda certeza a mãe é uma dádiva divina.
Nada pode roubar essa preciosidade chamada mãe, nem o capitalismo selvagem, nem o liberalismo oco, nem o modismo hermético. Vivemos hoje momentos onde muitos filhos não tem demonstrado amor para com seus pais, eles são atrevidos com a mãe, respondões, insubmissos, provalecidos, rebeldes, não dão carinho, nem o amor devido àquela mulher que é anjo de Deus para a sua vida.
Na cadeia e no giro da malandragem os próprios bandidos não perdoam bandido que mata a mãe como fez o imperador Romano “Nero”, pois eles sabem que no final de tudo é a mãe que eles podem contar. Mãe é jóia rara, perfume suave, rosa em meio aos espinhos, é água fresca em tempo de calor, é cobertor em tempo de frio.
A Bíblia está coberta de razão quando diz que os filhos devem honrar pai e mãe. Deus vai mais longe nessa verdade e diz que aqueles que honrarem seus pais ele vai prolongar os seus dias sobre a terra.
Encerro este tributo às mães contando a famosa história de Bradley.
“Ele sempre fazia serviço para sua mãe, porém, um dia, na hora do café, ele colocou um bilhete dizendo que sua mãe tinha uma dívida para pagar para ele. O bilhete dizia: “Mamãe me deve: Por levar recados, 6 reais. Por tirar o lixo, 4 reais, por varrer o chão, 4 reais, mais hora extra, 1 real. Total que mamãe me deve, 15 reais.
A mãe leu aquilo e não acreditou, porém, também escreveu um bilhete para ele. Bradley deve a mamãe: Por ser boa para ele, Nada, Por cuidar da sua catapora, Nada, Pelas camisas, sapatos e brinquedos, Nada, pelas refeições e pelo lindo quarto, Nada. Total que Bradley deve a mamãe, Nada”.
Bradley ficou envergonhado e devolveu o dinheiro para a sua mãe e a partir dali começou a ajudar a mãe por amor. Filhos amem as suas mães, pois Deus vai te abençoar e você será feliz. Amar a sua mãe não é reduzir somente em presentes mais em amor, respeito, dedicação, honra, cuidado, carinho, amizade, ajuda. “ Que possamos voltar como ave ao velho ninho”.
Pr. Carlos A. Lopes
Teólogo
www.carloalopes.com.br
e-mail: carlos@carlosalopes.com.br