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Além da lenda
Fonte: Luiz Henrique da Silveira - Governador do Estado
Em virtude de sua morte, prematura e inesperada, jornais, revistas, rádios, TVs, sites e blogs esmeraram-se em dissecar a biografia vitoriosa do cidadão catarinense João Batista Sérgio Murad e elencar as excelsas qualidades do empreendedor Beto Carrero.
Como seu amigo e admirador, não poderia deixar de pranteá-lo, mas restou-me pouco a acrescentar sem ser redundante, razão pela qual tomo outra vereda para homenagear este ser humano tão singular quanto maiúsculo.
”As pessoas não morrem, ficam encantadas” dizia o gênio Guimarães Rosa. Mas e quem já era encantado em vida, no que se transforma? Lenda? Mito?
”Uma vida não basta ser vivida: também precisa ser sonhada”, ensinava Mário Quintana. Feliz de quem soube sonhar um sonho bom e, melhor ainda, soube viver para torná-lo realidade.
”Se as coisas são inatingíveis, ora, não é motivo para não querê-las. Que triste os caminhos se não fosse a presença distante das estrelas”, sonhava o me! smo Quintana. Hoje, com as estrelas já não tão distantes, o sonho que parecia inatingível está aí, vivo, imperecível.
”O amor e o desejo são as asas do espírito das grandes façanhas”, asseverava Goethe. Por ter tanto de ambos é que foi capaz de tão grandes façanhas.
“Para entender o coração e a mente de uma pessoa, não olhe para o que ela já conseguiu, mas para o que ela aspira”, pregava o sábio Gibran Khalil Gibran. Pois, mesmo depois de erguer do nada o maior parque temático da América Latina e quinto do mundo, Beto ainda tinha grandes planos: uma marina, um resort, um autódromo internacional e a maior montanha russa do mundo, esta já comprada dos japoneses e em vias de ser instalada.
“Quem distribui flores, antes, perfuma as próprias mãos”, ensinava Gandhi. A maioria das pessoas surpreendeu-se ao descobrir que aquele risonho e sempre radiante sonhador tinha já 70 anos, comprovando que, mutatis mutandis, quem distribui alegria, alegra a própria vida.
”A arte d! a vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”, pregava o ! mesmo Gandhi. Se assim é, então Beto foi, sem dúvida, um grande artista.
Sempre aberto às novas idéias, sem medo de enfrentar desafios – e, invariavelmente, vencê-los -, este personagem cativante, sonhador e visionário só podia deixar de viver em função de insuficiência cardíaca, pois ele era todo coração, um imenso coração não só para as 10 milhões de crianças que visitaram o parque dos seus sonhos, mas para seus amigos, funcionários e, principalmente, sua família.
João Batista Sérgio Murad se foi, mas a lenda Beto Carrero permanece.
E digo lenda sem medo de exagerar, pois, no exato momento em que seu corpo estava prestes a descer para a última morada, os céus enviaram uma repentina chuva de granizo, como que para recriminar a tristeza que invadia as três mil almas ali presentes.
Uma perda irreparável...
Santa Catarina perde muito com a sua ausência!